segunda-feira, 12 de outubro de 2009

do livo - A Revolução Portugueza - O 5 DE OUTUBRO 1910 - de JORGE D'ABREU - 1912

CAPITULO XXIII
Proclama-se a Republica no edificio da Camara Municipal
Pouco antes das 7 da manhã, o encarregado dos negocios da Allemanha procurou o general Gorjão e pediu-lhe o armisticio de uma hora. O general concedeu-lh'o e escreveu este papel, cujo original, pertencente ao denodado republicano sr. Rodrigues Simões, figurou no Museu Revolucionario:

COMMANDO DA1.ª DIVISÃO MILITAR —— Gabinete do General — *
Eu abaixo assignado, commandante da 1.ª divisão militar, declaro que concederei um armisticio de uma hora a fim de que os estrangeiros residentes em Lisboa possam embarcar. Faço esta concessão por me ser pedida pelo Ex.mo Sr. Encarregado dos negocios da Allemanha.
Lisboa, 5 de outubro de 1910.
a) Manuel Rafael Gorjão.
General de divisão.

Assim que o diplomata allemão sahiu do quartel general em direcção á Rotunda, escoltado por uma ordenança de cavallaria que desfraldava uma bandeira branca, o povo, que se amontoava nas immediações, julgando que se tratava da rendição das forças monarchicas, prorompeu em applausos enthusiasticos. Era no momento em que o alferes Gomes da Silva e o commissario naval Marianno Martins se faziam annunciar ao general Gorjão. Este recebeu-os e Marianno Martins explicou-lhe:
—O official que me acompanha foi a bordo do S. Rafael participar que infantaria 5 e caçadores 5 se negam a fazer fogo sobre os marinheiros. Desejo, portanto, saber em que condições v. ex.ª acceita a paz para eu as transmittir ao meu commandante.
O general Gorjão encolerisou-se e, voltando-se para o alferes Gomes da Silva, perguntou-lhe:
—Quem foi que lhe deu auctorisação para ir a bordo dizer tal coisa?
—Ninguem, explicou o official interpellado; fui a bordo, por minha livre vontade, transmittir a resolução dos soldados de infantaria 5 e caçadores 5.
O general tornou a vociferar furioso, exclamando que o alferes Gomes da Silva fizera uma salsada, uma burla, que o havia desgraçado, pois concedera apenas um armisticio para dar tempo a que os subditos allemães embarcassem, e concluiu d'este modo:
—Não me rendo!... Ainda disponho de muitos soldados!...
O alferes interveiu logo:
—V. ex.ª tem essa impressão... mas eu affianço-lhe que já não tem soldados!...
O general fitou-o demoradamente e depois, attentando no numero do bonet de Gomes da Silva, insistiu:
—Demais, caçadores 5 tem sido fiel, continuará a ser fiel e com soldados assim não me rendo!...
Nova replica do alferes, affirmando-lhe sob sua palavra de honra que n'aquelle batalhão o general não dispunha d'uma unica praça. Para terminar a discussão, Marianno Martins interveiu marcando o praso d'uma hora para a rendição do quartel general. Findo elle, o S. Rafael varreria as ruas Augusta e do Ouro com as suas peças.
—Façam o que entenderem, retorquiu o general, não me rendo... Ainda tenho muita gente.

Cá fóra, o povo, enthusiasmado, continuava a dar vivas delirantes á Republica e ao exercito, confraternisando com os soldados, que disparavam as armas para o ar, evidenciando uma alegria doida. Cessara o tiroteio entre os combatentes. O general, observando isto, reuniu o conselho de officiaes, chamando para essa reunião todos os commandantes de unidades, e falou-lhes n'estes termos:
—Tendo de tomar resoluções, convoquei os senhores. As circumstancias são as seguintes: ordenou hontem este Quartel General ás forças que guarneciam as Necessidades que se approximassem d'este local, e que, ou por S. Roque ou por onde entendessem conveniente, tentassem obstar á descida da artilharia revoltosa para S. Pedro de Alcantara, d'onde constava que ella procuraria bombardear o Rocio. Apezar de repetidas vezes transmittida, esta ordem não foi cumprida até agora. As baterias de artilharia 3 encontraram cortada a ponte de Sacavem e não podemos por conseguinte contar com ellas.
«O sr. general Sequeira informa-me que as munições de artilharia armazenadas em Beirolas não podem d'ahi obter-se, porque o impedem barricadas com fortes guarnições de paisanos armados. Não temos por isso possibilidade de remuniciar a bateria a cavallo de Queluz, á qual apenas resta um pequeno numero de tiros. Os srs. commandantes das forças de infantaria do Rocio fizeram-me constar a fadiga das suas praças; e mais tarde, sabendo-se que os marinheiros, senhores do Arsenal, procediam ao desembarque para investir o Rocio, os mesmos srs. commandantes informaram-me das más disposições dos seus soldados para fazerem fogo contra os ditos marinheiros.
«Finalmente, ha cêrca de meia hora, apresentou-se me um representante da Allemanha pedindo auctorisação para tratar com os revoltosos no sentido de obter um armisticio, afim de que os seus nacionaes pudessem sahir a salvo. Entendendo que não devia recusar, forneci para o effeito um parlamentario com bandeira branca. Mas mal a bandeira branca sahiu o portão d'este edificio, isso foi como que um signal de destroçar, sahindo todas as praças das fileiras e misturando-se com os magotes de povo que, a agitar bandeiras brancas, surgia pelas embocaduras das diversas ruas. N'estas circumstancias...»
N'esta altura, Paiva Couceiro, que tambem assistia ao conselho, levantou-se e interrompeu o general:
—N'estas circumstancias, disse elle, vista a exposição de V. Ex.ª, e visto o espectaculo da quebra dos laços de disciplina que por esta janella se avista concluo que V. Ex.ª já não tem soldados. Eu não o abandono; mas V. Ex.ª é que já não precisa de mim. Sigo, pois, o meu destino.
—Mas, observou o general Gorjão, ha de haver uma acta a assignar!...
—Acta?! exclamou Paiva Couceiro. Acta?! Isso é com V. Ex.ª. Comigo, não. Combati hontem. Combati hoje. Estou prompto a combater ainda. Com actas não tenho nada. E, com licença de V. Ex.ª, sigo, repito, o meu destino para o Norte.
E Paiva Couceiro, cumprimentando, sahiu da sala. Cá em baixo, esperava-o o tenente Rocha com a sua peça.
—Vamos para Queluz, disse-lhe Paiva Couceiro. E, com effeito, chamadas as outras peças dos postos que occupavam, a bateria pôz-se a caminho.

Ás 8 e 30 da manhã, Machado Santos, avisado da concessão do armisticio, recebia no acampamento da Rotunda o encarregado dos negocios da Allemanha. Ás primeiras palavras trocadas, Machado Santos recusou o pedido de treguas, allegando que a força estava do seu lado e que ao general da 1.ª divisão é que pertencia render-se. O diplomata replicou dizendo que nada tinha com as razões d'uma ou d'outra parte e insistindo pelo armisticio ameaçou fazer intervir o governo do seu paiz no caso de lh'o não concederem. Machado Santos limitou-se então a sorrir para o engenheiro Antonio Maria da Silva que tambem se encontrava n'essa occasião na Rotunda e disse-lhe:
—Ó Silva, faze de ministro dos estrangeiros da Avenida... Tomo absoluta responsabilidade.
O diplomata allemão pedia uma hora para poder embarcar os seus compatriotas. Foi-lhe concedida (das 8 e 45 ás 9 e 45 da manhã) mas com a condição de não poderem as tropas inimigas retomar posições de que tivessem sido desalojadas e não impedirem a adhesão das que quizessem entrar no acampamento da Rotunda. Dada a resposta ao encarregado de negocios, o engenheiro Silva convidou a ordenança de cavallaria que o acompanhava a ficar com os revolucionarios e substituiu-a por uma escolta da sua confiança.

A derrota da monarchia era um facto indestructivel. No Rocio e nos outros pontos, onde momentos antes se combatia ardorosamente, chorava-se de alegria. O espectaculo era de enternecer. O povo, longe de procurar n'esse instante de predominio absoluto desforçar-se no inimigo, perdoava-lhe generosamente as longas horas de angustia e de hostilidade e confundia n'um abraço de sincero enthusiasmo vencedores e vencidos. Poder-se-ha talvez suppôr que a circumstancia de apparecerem n'esse momento entre as forças que acabavam de render-se á Republica officiaes que se tinham compromettido a preparar-lhe o advento é indicação ou de defecção ou de traição. Não é tal: surprehendidos, horas antes de se iniciar o movimento, com umas medidas de prevenção com que não contavam, esses officiaes sahiram dos quarteis, acompanhando, é certo, os seus camaradas monarchicos, mas dispostos a evitar que as tropas do seu commando chacinassem os revolucionarios.
E foi o que succedeu. Durante a noite de 4 para 5, alguns d'elles, como o tenente Valdez, Gomes da Silva e Carvalhal Correia Henriques, apesar de expostos no Rocio a um ataque vivissimo dos populares, conservaram sempre uma attitude de disciplinada obediencia á Republica e impediram por todos os meios ao seu alcance que infantaria e caçadores massacrassem os elementos revolucionarios da classe civil. O general Encarnação Ribeiro, n'essa noite de tragedia, tomando contacto com diversos d'esses officiaes que elle conhecia das reuniões dos conspiradores, assegurara-se plenamente d'essa attitude. O mesmo fizera Pinto de Lima em especial junto dos elementos de infantaria 5, considerados, como antes da revolução, republicanos. A organisação revolucionaria não teve deserções. Os officiaes que não sahiram desde logo a combater contra o regimen mantiveram até final da lucta uma attitude que favorecia inteiramente a victoria da boa causa.
Dos outros, dos monarchicos, é egualmente justo consignar que á hora de abaterem bandeiras ante a Republica triumphante não foram avaros em reconhecer a magnanimidade do povo que com tanta rudeza haviam hostilisado. Um d'elles confessou lealmente, minutos depois da rendição:
—Não sou republicano, mas agradeço a forma como os senhores me trataram, permittindo-me que após a derrota eu regresse intacto para junto dos meus. São muito generosos para com os vencidos! Obrigado!...
Uma revoada de enthusiastico applauso apagou as ultimas syllabas d'esta declaração espontanea e honrada.

Machado Santos, entretanto, avistando do acampamento da Rotunda uma grande multidão que subia a Avenida, calculou que era tempo de avançar sobre o quartel general, deixando o entricheiramento sufficientemente guarnecido. Á frente d'um batalhão de populares armados desceu até ao Rocio e entrou no quartel general. Já lá estava José Barbosa que, em nome do Directorio, apoiou a entrega do commando da divisão ao general Carvalhal, antigo republicano, que Candido dos Reis indicara muitas vezes como o successor logico do sr. Raphael Gorjão. O resto que se seguiu é por demais conhecido para que nos detenhamos a narral-o.
Arvorou-se a bandeira republicana no quartel do Carmo; João Borges, Estevão Pimentel e Manoel Bravo occuparam o telegrapho; duzentos civis desembarcados dos navios de guerra tomaram o Museu d'Artilharia (que fôra defendido por forças de engenharia e guarda-fiscal) e o Arsenal de Exercito e marcharam depois para a Rotunda a juntar-se aos heroicos revolucionarios ali installados; e cêrca das 9 horas da manhã, da varanda da Camara Municipal soltavam-se aos quatro cantos do paiz a proclamação solemne da Republica e a constituição do governo provisorio.
No governo civil, de que Celestino Steffanina e José Barbosa se apossaram quasi sem esforço, não tardava a concentrar-se um nucleo de forças republicanas para occorrer aos casos mais urgentes. O edificio tinha até outro aspecto. Perdera n'esse momento o ar inquisitorial que caracterisava a antiga Parreirinha. Tanto assim que um combatente da Revolução, um sexagenario vigoroso, ao entrar d'ahi a horas no gabinete do dr. Eusebio Leão, não se conteve e exclamou fremente de enthusiasmo:
—Agora, sim... já se respira á vontade!
As sombras negras dos policias, essas sombras que durante annos os governos monarchicos tinham utilisado não para garantir a segurança do cidadão, para auxiliar, para o coadjuvar, mas para o amachucar, para o ferir nos dias de protesto ou de desespero, essas sombras execradas pelo povo haviam desapparecido, haviam-se sumido como por encanto, ao estridor do triumpho, ao soar o primeiro grito festivo consagrando a conquista da Liberdade. Voltaram mais tarde, é certo; mas voltaram com o accrescimo d'esses ornamentos vermelhos, que nos evocam a cada momento esses longos minutos de lucta, strenua e heroica em que o sangue de uma centena de sacrificados escreveu pelas ruas de Lisboa a pagina mais brilhante da historia democratica.

Ao findar estas narrativas cabe-nos o dever de registar que do lado dos elementos monarchicos houve a espaços, durante o periodo revolucionario, o fulgurar de actos nobres, dignos, reveladores de verdadeira energia. Não foram em quantidade sufficiente para que a balança pendesse decisivamente em favor do antigo regimen. Mas bastaram para accentuar que o sr. D. Manuel de Bragança, entre a enorme côrte que o servia e que quasi por completo o abandonou no momento da derrota, ainda contava uma boa meia duzia de dedicações sinceras. Um d'esses monarchicos liquidou, no cano de um revolver, a carreira que abraçara e a existencia que lhe sorria feliz; foi o tenente de marinha Frederico Pinheiro Chagas.
Ao lado, porém, d'esses homens que até á ultima deram provas de não ser injustificada a confiança que o antigo regimen n'elles depositava, surgem em destaque lamentável outras figuras, que, por medo, por pusillanimidade, ou se retractaram no periodo da Revolução ou se apressaram a bajular a Republica, logo que a Republica triumphou. D'um monarchico sabemos nós que, occupando na monarchia um cargo proeminente, cargo que lhe concitára as antipathias da população democratica, mal defrontou na manhã de 5 de outubro um dos vultos preponderantes do partido republicano, se apressou a affirmar que fôra sempre um apologista da Ideia e que os incidentes desgraçados em que o antigo regimen, para se defender, envolvera o seu nome, não tinham occorrido sem o seu vehemente protesto.
Outro, um magistrado retintamente monarchico, servidor incondicional do governo do sr. Teixeira de Sousa, perseguidor feroz dos republicanos, que, porventura, cahiam na sua alçada, encontrámol-o dias depois de proclamada a Republica na sala de visitas d'um venerando causidico democrata, o dr. Manuel de Arriaga, asseverando-lhe que nunca defendera outros principios que não fossem os do partido do povo. E accrescentava, n'uma voz meliflua, implorador:
—Você sabe... accusam-me de ter procurado, no exercicio da minha missão, aggravar intransigentemente a pleiade de homens honrados em que você enfileira... É falso! Não sou monarchico e desgostar-me-hia bastante o soffrer agora as consequencias d'uma accusação infundada.
O seu interlocutor sorriu ao ouvir estas palavras de subserviencia e n'esse sorriso lia-se claramente a bondade de um coração diamantino que se apiedava do terror cobarde do magistrado em questão...

E outros ainda, que ao perceberem que após trinta e seis horas de lucta o antigo regimen se afundara definitivamente, compozeram uma attitude de artificioso contentamento, exclamando ao mesmo passo:
—Até que emfim!... Ha quantos annos suspirava por este dia!...
Os mais apressados no reconhecimento da nova fórma de governo, esses, então, como o momento era azado para distinguir ao primeiro golpe de vista os adherentes dos não adherentes, não duvidaram pregar na lapella do casaco uns laçarotes vermelhos, para que a rajada revolucionaria—caso ella se manifestasse—os não subvertesse, os não liquidasse.
Nas horas do combate encolheram-se a tiritar, calculando que a Revolução os arrastaria pelos cabellos a uma chacina purificadora ou os penduraria n'um candieiro. E, afinal, a Revolução não fez nada d'isso. A Revolução, assim como teve um curto periodo de tiroteio sangrento, tambem se caracterisou por diminutos instantes de delirio enthusiastico, mas delirio inoffensivo, expansão de alegria desinteressada e generosa. Ninguem assassinou, ninguem saqueou. A propria artilharia civil, dispondo d'uma poderosa força destruidora, não commetteu excessos, não praticou represalias. Applicou-se exclusivamente a atacar as forças do antigo regimen, lançando as suas granadas de mão sobre os cavalleiros monarchicos, dispersando-os, derrotando-os mais pelo panico produzido pelo ruido da explosão do que pelos effeitos contundentes da metralha.

Um episodio succedido na tarde do dia 4 de outubro dá bem a medida do espirito de honestidade com que os revolucionarios sahiram então á rua a combater contra a monarchia:
N'uma das avenidas de Lisboa modernamente rasgadas, á hora em que a artilharia da Rotunda despejava sobre a de Queluz os seus tiros certeiros... Um leiteiro que enfiava transido de medo para o portal de uma casa rica é abordado por um popular armado que o intima a vender-lhe uma porção de leite. O aspecto do revolucionario é de metter pavor: na face ennegrecida lampeja uma decisão inquebrantavel; n'uma das mãos agita uma pistola de grandes dimensões. O leiteiro estaca a tremer, disposto já a abandonar toda a mercadoria, comtanto que lhe poupem a vida. O revolucionario manda encher uma medida de lata, mas, quando se dispõe a beber por ella o liquido que o ha de reconfortar, o leiteiro observa-lhe que a policia não consente tal coisa, que isso é... contra a postura.
—A policia... Mas onde está ella? replica o revolucionario n'uma gargalhada escarninha.
E d'um trago sorve o liquido. O outro, morto por se safar, assim que lhe restituem a medida de lata, prepara-se para uma correria desenfreada. É de agradecer ao Deus creador o libertar-se do transe afflictivo apenas com o dispendio d'uns decilitros de leite... Mas o revolucionario não o consente. E, empunhando de novo a pistola com gesto ameaçador, obriga-o a acceitar em pagamento umas moedas de cobre. Comprehende-se: esse homem não fazia a Revolução para perpetuar os crimes da monarchia.

Quantos dos servidores do antigo regimen não procederam de modo diverso? Quantos não beberam o leite, não o pagaram e até metteram na cadeia os respectivos vendedores só pelo facto de lhes exigirem o pagamento? Quantos?...

FIM

1 comentário:

ed hardy chothes disse...

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